Saudades
Minha vida somente é completa com as múltiplas lamentações do meu espremido coração. A saudade que bate e me desnorteia.
Falta do cheiro da maré, da Baía de Guanabara. Sou como uma tartaruga querendo seguir moléculas de cheiro da praia de onde eclodi. Se eu não tivesse sido levada por rio abaixo e uma corrente marítima, forte demais para ser combatida.. Estaria reclamando da oportunidade perdida.
Tem dias que a saudade é específica. Saudade do suor de corpo molhado, corpo magro, corpo contra o meu, corpo que quer o meu. Saudade do mosquiteiro cobrindo o colchão no chão. Saudade do mato, do rio, de floresta inundada. Saudade dançante de Clara às 3 da manhã. Saudade do sorriso e pandeiro. Saudade de peixe na grelha. Saudade de não querer imaginar que um dia ia acabar.
Outros dias a saudade é global. Saudade do Rio, da Lapa, da praia da Urca, do nascer do sol, do sol brilhando ao sair da boate escura, do chopp, do bar, do rock, do forró, da avó, do pai, dos amigos, das paqueras, dos risos, dos risos...
Às vezes não gosto de lembrar. E escondo todas as saudades no fundo do coração, bem longe da aorta, sem possibilidade de ser expelida e me tomar o corpo, chegar ao meu cérebro, estimular o cerebelo, e desengatar a dor. Só que volta e meia, o coração fica cheio, entupido, querendo gritar alto, e pro mundo.
Por isso liguei hoje, não resisti. Pra alguém. Pra falar de coisas triviais. Pra dizer da saudade que sinto.
...E vou passar o resto da semana inteira saudosa demais...


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